Autonomia Vs. Escola em Casa
AUTONOMIA VS. ESCOLA EM CASA
Como mãe, psicóloga, professora e coordenadora de projectos escolar do mais variado que existe que para não dizer que já chega ainda acumula funções de direcção numa instituição social e representante dos pais da turma da princesa, à semelhança do resto dos seres humanos do país e do mundo, tenho mergulhado diariamente e, sem direito a intervalo (nem aos fins de semana), numa cascata de tarefas com vista a adaptar (sem que seja possível) a esta nova realidade que é estar em casa 24 horas dos nossos dias, 7 dias por semana.
Não tenho tido mãos a medir para todas as solicitações que chegam a todo o minuto de todas as frentes possíveis e imaginárias. Tento ser mãe a tempo inteiro, já que estou, pela primeira vez desde sempre, totalmente em casa. Na verdade, sinto-me mais ausente nesta presença diária do que alguma vez me senti durante aquilo que era o corre corre dos meus dias.
Estou em casa, mas não estou. Não estou de verdade. O tempo urge e os prazos dados e exigidos por todos, mas neste caso vou remeter-me apenas ao contexto de ensino, esses prazos são assustadores. Não há horas para receber emails, não há horas para enviar recados, informações, mensagens com directrizes para aquilo que vai acontecer durante a semana, não há fins de semana... ahhhh, como desejo ter um domingo de verdade, daqueles que antigamente tinha. Daqueles, em que a única preocupação era dormir sem hora de acordar, tomar um late breakfast com a família, preguiçar no sofá ou simplesmente vê-la brincar. Agora, nem ao domingo temos descanso. Entendo, até porque me integro de certa forma neste grupo, que estamos em fase de adaptações, que estamos todos no mesmo mar (porque os barcos nos quais navegamos, já vimos à muito que são mesmo muito diferentes dependendo do quadrante marítimo em que estamos a navegar).
Assim, e assumindo agora uma perspectiva de psicóloga e professora, arregacei mangas e questionei-me... O que será que estou a fazer de errado?
A resposta é nada.
Mas a resposta é também tudo.
Sim, nada porque estou a dar o meu melhor para responder a tudo da melhor forma que sei e posso.
Tudo, tudo porque não sou uma superwomen, supermom, super o que quer que seja. Eu existo! Enquanto ser individual e independente da minha prol existo.
Não me cabe a mim assumir toda a carga sozinha às minhas costas. A minha filha é um ser, graças ao universo ( e a mim 😉) autónoma. Sim, ela não vai deixar de existir se eu a deixar organizar, autonomizar-se e responsabilizar-se sozinha por aquilo que no fundo é a sua responsabilidade, o seu dever perante aquilo que é a sua vida académica.
Tentamos muitas vezes cobrir todo o terreno e evitar que algo saia fora do carril. Mas e se sair? Não foi assim que também fomos aprendendo a não descarrilar?
Não estou a sugerir deixar os nossos filhos "atirados aos lobos", não estou a sugerir que nos demitamos do nosso papel de mães, pais, educadores, de todo! Estou a sugerir que assumamos sim esse papel e não tentemos assumir o papel do professor (isso não nos está a ser pedido), ou, sequer e acima de tudo, o papel do aluno, o papel dos nossos filhos.
A autonomia é uma "função benigna" do ser e, como tal, devemos sempre tentar promovê-la em especial nos nossos filhos. Não devemos temer a autonomia nem devemos incutir nos nossos filhos uma ideia de autonomia incongruente guiada pelo nosso medo de já não sermos necessárias para os nossos filhos. Far-lhe-emos sempre falta! Não tenhas qualquer dúvida nisso. Não continuas ainda hoje sendo tu mãe, ou pai a procurar e precisar da tua mãe?
Considerando a autonomia como o estado de integração no qual um individuo se encontra em total plena concordância com os seus sentimentos e as suas necessidades, porque havemos de temer promover esta autonomia nos nossos filhos?
É simples?
Irracionalmente, associamos autonomia a independência e tememos ser colocados de parte já que ao desenvolver autonomia, acreditamos que os nossos filhos irão ser totalmente independentes e como tal não seremos necessárias.
Assim, e voltando ao assunto do estudo em casa, e, para bem da nossa saúde mental enquanto mães (ou pais, ou ambos), sugiro que nos adaptemos à realidade, ao Eu real em oposição ao Eu ideal que nos tem colocado à beira de um ataque de nervos todos os dias desta nova realidade que vivemos.
Ensina o teu filho(a) a ser autónomo e não negligencies as tuas necessidades. Como o fazer? é simples... demasiado simples para dizer a verdade.
Existem um sem número de estratégias a que podes recorrer dependendo da idade da tua prol. Assumindo que neste preciso momento, aquilo que te consome mais energias é rastrear a informação e gerir prioridades, deixo-te aqui um pequeno documento, que deverás entregar ao teu filho por forma a se organizar.
Lembra-te, podes orientar quando lhe deres a folha da função da mesma e até mesmo exemplificar (dependendo é claro da idade da criança) o modo de preenchimento. Mas faz isto apenas uma vez! Depois, Confia! Confia no teu filho, nas suas capacidades de aprender, de se adaptar...Afinal... "Filho de peixe sabe nadar", certo? 😊



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